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Caracas,15/01/2009

Marítimo 'vítima' de promessas Director desportivo fala em falta de apoio de actuais e ex-dirigentes


ANTONIO C. DA SILVA

EDMAR FERNANDES


Após o nascimento do Centro Marítimo da Venezuela, advindo da fusão do Centro Luso de Turumo e o Marítimo local em 2007, foram discutidos e difundidos publicamente diversos projectos que tinham como finalidade revitalizar um dos clubes mais bem sucedidos do país.

No entanto, cerca de dois anos volvidos, tudo continua na mesma. O campo de futebol de 11 que iria ser edificado no centro, em Turumo, não passou do plano de intenções, a inscrição do clube no futebol sénior também continua em banho-maria, entre outros projectos que perderam-se no tempo. Razões mais do que suficientes para Victor da Silva, director de desportos do Centro Marítimo da Venezuela, dizer de sua justiça.

Para sustentar esta aparente apatia e estagnação da instituição, Victor da Silva reclama falta de apoios e fala em "promessas que ficaram por cumprir de ambos os lados" na altura em que foi consumada a fusão entre ambas as partes, representadas pelos ex-presidentes dos clubes, Manuel Pereira e Mário Pereira.

Ainda assim, Victor da Silva diz que "tem estado a trabalhar" para projectar a colectividade e faz tenções de reunir esforços para a construção do propalado campo de futebol de 11 do Centro Marítimo da Venezuela. Revela, todavia, que o projecto não recolhe a aprovação do "resto da direcção do clube" nem tão-pouco o apoio dos ex-dirigentes maritimistas, Mário Pereira e José Luís Ferreira, a quem dirigiu duras críticas. "Não fizeram nada para que isso fosse possível, só se mostram interessados em aparecer nos dias importantes como aconteceu nas visitas à Venezuela do presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, e da equipa do Marítimo", acusou.

Ao invés, lamenta que o duo supracitado "falhe de forma sistemática os eventos que são realizados pelo clube" demonstrando um claro desinteresse na actualidade de uma instituição que deveria unir os maritimistas. "Foram convidados a integrar a direcção do clube mas não quiseram nem tão pouco apoiam os poucos que estão a trabalhar em prol deste projecto. É mais fácil deitar a culpa para cima dos que trabalham do que reconhecer os erros de cada um", desabafou.

A não inscrição da equipa de futebol nos campeonatos nacionais - mais uma das promessas incumpridas - também mereceu a atenção de Victor da Silva, justificando o facto com a "falta de tempo para angariar os apoios necessários" para a sua prossecução. Todavia, garante que está totalmente "empenhado e convencido" de que a equipa será inscrita na 3.ª Divisão na próxima temporada.

Tem sido igualmente assunto de conversa a renitência da comissão de desportos do Centro Marítimo da Venezuela em expandir as suas escolas de formação para a zona de Pastora. Situação que Victor da Silva explica com a necessidade de tal desiderato compreender um "investimento na remodelação de campos". Assim prefere primeiro "investir" no espaço do clube, para então depois começar a pensar "em apoiar outras escolas de futebol".

Em suma, o director de desportos do Centro Marítimo da Venezuela revela ter vários projectos que estão a ser desenvolvidos que não merecem o apoio da "direcção actual nem tão pouco da ex-direcção do Marítimo". Como se não bastasse, queixa-se ainda de que a figura do Marítimo está vulgarizada por ser constantemente utilizada por várias equipas espalhadas pela Venezuela, e julga que a mesma deveria estar canalizada no Centro Marítimo da Venezuela em Turumo, o "único devidamente legalizado" para o efeito.


"Não há milagres"

"Quando as pessoas são incapazes de cumprir as suas funções, procuram culpados e desculpas". Foi assim que José Luís Ferreira, ex-presidente da filial maritimista e um dos visados pelo director de desportos do Centro Marítimo da Venezuela, como estando à margem dos projectos do clube, respondeu à acusação.

José Luís explica que surge em actos públicos da colectividade quando acha que tem de aparecer e se não vai a "eventos normais é por causa de afazeres pessoais". "Mas estou lá quando interessa e é realmente importante", sublinhou.

Refuta, contudo, as acusações de que é alvo. "Tenho dado apoio, inclusivamente utilizando capital próprio. Foi assim, aliás, quando a equipa foi ao campeonato inter-clubes, pois fui eu que comprei equipamentos originais do Marítimo", lembrou. Para além disso, recordou também que é da sua responsabilidade e de "um grupo de amigos que foi construído um novo miniparque no clube para os miúdos", entre outras situações. Mas, apesar deste apoio, diz que Victor da Silva, director de desportos da instituição, "engana-se se pensa que uma ou duas pessoas fazem milagres.

José Luís até julga, aliás, que a colectividade tem evoluído. "Antes tinha 100 sócios e agora já estão nos 500. É sinal que já melhorou alguma coisa". Já em termos de património, reconhece que o cenário é diferente. "O campo é um projecto custoso que demora tempo", começou por aludir, notando em seguida que a "crise afecta todos e não é fácil reunir verbas para arrancar".

Obstáculo, porém, que não tem sido impeditivo para a dinamização de outras instituições: o Centro Português, em Macaracuay, apresta-se para construir um campo de futebol de 11; o recém-nascido Esppor, já compete nos nacionais de futebol; o Nacional, sediado em Guatire, já dispõe do seu palco de jogos.

Realidades que José Luís classifica como sendo "totalmente diferentes". "Não podemos entrar por aí. O Centro Português, por exemplo, tem 2.000 sócios, uma localização diferente", acrescentou.

E o exemplo do Nacional considera que também é transversal ao território madeirense. "O Marítimo é também o mais popular clube da Madeira, no entanto o Nacional conseguiu ter primeiro o seu estádio de futebol", salientou. A concluir, o ex-dirigente do Marítimo enaltece que "todas as opiniões merecem o meu respeito" mas diz que não dá importância a esta em particular, de Victor da Silva.


 

   
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Creada y actualizada por JAVIER XAVIER